21/09/2020

Gazeta Amparense

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Estudo da USP sugere que a Covid-19 pode ser capaz de destruir nossas células de defesa

Covid-19 pode ser capaz de matar as células envolvidas na defesa do corpo contra os agentes infecciosos, de acordo com estudo feito por cientistas da Universidade de São Paulo, a USP.

Os pesquisadores verificaram que o coronavírus contamina diferentes tipos de linfócitos, células que defendem o organismo de doenças, infecções ou alergias.

Produzidos na medula óssea, eles pertencem a um grupo de células chamadas de leucócitos ou glóbulos brancos, e quando aumentados podem indicar diversas doenças.

Os cientistas da USP ainda não sabem se a queda na imunidade dos pacientes com Covid-19 é consequência do ataque aos linfócitos e nem qual seria sua duração.

Mas não descartam a possibilidade de a infecção por coronavírus deixar algum tipo de sequela no sistema de defesa do organismo.

Em entrevista à Agencia Fapesp, o virologista e coordenador da pesquisa, Eurico Arruda, diz que a queda na contagem de linfócitos no sangue foi verificada em pacientes hospitalizados, logo no início da pandemia.

O quadro também foi associado a um maior risco de intubação e morte, mas a causa do problema ainda não estava clara.

O pesquisador esclarece que quando ocorre uma infecção, é esperado que uma parte das células de defesa saia da circulação e migre para o tecido afetado, para ajudar no combate aos invasores.

No entanto, autópsias realizadas revelaram que a quantidade de linfócitos presentes nos tecidos atingidos não era suficiente para explicar o baixo nível deles no sangue, verificado quando os pacientes com coronavírus ainda estavam vivos e hospitalizados.

Para descobrir o mecanismo envolvido, foram feitos diversos experimentos com amostras sanguíneas de voluntários saudáveis, que depois foram comparados com o sangue de pacientes infectados.

De acordo com o cientista Eurico Arruda, os dados indicam que a Covid-19 é capaz de infectar os linfócitos, se replicar em seu interior e desencadear um mecanismo de morte celular programada, conhecido como apoptose.

Os resultados podem ajudar a entender porque algumas pessoas não apresentam anticorpos, depois de serem infectadas pelo coronavírus.

Ao mesmo tempo, a queda no número de linfócitos pode deixar os pacientes mais vulneráveis a outras infecções oportunistas e os médicos devem ficar atentos, pois os hospitais estão repletos de bactérias resistentes, alerta o pesquisador.